REIS DO POGO TOUR 2015

Ornitorrincos (RS) e Futuro (SP) em Goiânia no mês de novembro

VIDA TORTA

Hardcore/Skate Punk, melodia e sentimento nesse lindo disco da Vida Torta

ENTREVISTA COM A BANDA DEAD MEAT

Um papo legal com a goianiense Dead Meat e download do EP "Massacre e Progress"

DISCOS QUE PIORARAM A MINHA VIDA

Relatos pessoais do clássico disco da Velho de Câncer/Velho

DRAKULA - DEATH SURF

Sete polegadas do melhor do garage punk nacional

VIRUSKORROSIVUS

Prolongado, Progressivo e Incurável

28.9.16

Os Gatunos - Os Gatunos Vão à Praia (2016)


Bandas instrumentais, de um tempo pra cá, fazem os meus dias melhores e uma predileta nesse ramo sonoro é a brasiliense Os Gatunos. Com um surf music feito da melhor qualidade, o trio formado por Felipe Rodriguez (cordas grossas), Fabrício Paçoca (cordas finas) e Marcelo Melo (bateria) chegaram pesado em seu primeiro registro, o já querido "Os Gatunos Vão à Praia", disco com dez cantigas que trazem uma forte identidade da música brasileira, desde a influência da Jovem Guarda até os ritmos regionais do norte deste país. 
Ouvindo de cabo à rabo,  não tem como ficar impressionado com a qualidade das composições e da originalidade que a banda transmite. Ouça "Bendito Merengue"e faça uma deliciosa viagem mental ao fervor cultural do Pará, ali naquela coisa de Mestre Aldo Sena e o resto da quadrilha guitarrística que seguiu na rabeira do bonde. Essa com certeza (pra mim) foi o tiro certo que o power trio deu, sem desmerecer o restante das músicas, pois "Pobre Coitado" e "Macarroni Indigesti" segue aquela vibe goxtosa da brisa praieira, e mostra que a variedade de estilos entrosam muito bem e encorpam de maneira impecável o registro sonoro. O cowntry concentrado de "Araguari Boogie" é outro ponto alto e que merece uma atenção de quem ouvir, e claro, eu não poderia deixar de recomendar a lambada quente "Lambada Amansa Sogra".
Destaque desse cerrado, Os Gatunos colocam brasa no piso e fazem o seu público sapecar na dança, e se você ainda não conhece o som, o vacilo é grande e ainda está em tempo de remendar este erro. Disco e banda foda, recomendo sem temor (#foratemer) e que mais conjuntos musicais deste naipe aparecem por estes bueiros do nosso subterrâneo. 



Ouça o disco aqui:

26.9.16

Bang Bang Babies - Let's Talk About Loss - K7 (2016)




Depois de uma pausa pra organizar a rotina e a vagabundice boêmia, retorno as rasuras deste sítio apresentando a mais nova paulada dos goianienses da Bang Bang Babies, uma k7zinha fervorosa intitulada "Let's Talk About Loss" que foi lançada pelo selo ***king of rock do descompromisso*** Pretexto de Vagabundo Edições, que localiza-se em alguma boca de lobo da cidade do césio. 


Adquiri a fitinha através do bom cabra conhecido pela graça de Júlio Baron (Possuído Pelo Cão, Tirei Zero, Pretexto de Vagabundo e coisas mais) e logo que cheguei no aconchego de minha podre residência, tratei de colocar o esquema na vitrolinha rosa e apertei o pitoco do player. Daí pra frente o ritual de dilatação das pupilas através de uma boa diambra maranhense foi uma consequência inevitável, claro, pra acompanhar em grande estilo a audição dessa massarrara-sonora. Quem for ouvir (e recomendo que faça isto de maneira urgente) encontrará as melhores referências do garage rock, surf music e garage punk reunido em dez cantigas com muito reverb-delicinha e a esquizofrenagem dos movimentos dançantes da estrutura esquelética faz valer a cada minuto, desde a primeira "End of the line" até a derradeira "Enchadada". Pedrim & Sua Gangue da Lata de Cevada Barata mereciam toda a chapação alucinante que este submundo proporciona, pois foram esses doidos que proporcionaram alguns de meus melhores momentos nas noites roquistas desta cidade. E nem me venha falar de Boogarins, Carne Doce ou Hellbenders (e olha que nem estou desmerecendo os citados), mas é que os Bangs são os melhores daqui já por alguma longa data e mereciam algumas doidices por este subterrâneo afora. 

Portanto, pra finalizar, eis aqui um dos grandes lançamentos deste e dos demais anos que estão por vir, já que não é todo dia que o mundo conspira favorável e nos proporciona uma fina depuração sonora dessa. Parabéns para a bandidagem que bolou esse plano, tá cabuloso e só. Ah, este blog voltou mesmo, cada vez mais crackudo e marginal. Obrigada por ler tudo isso.

ps.: "Midas Touch" com aquele vocalzinho de mulher ficou mára!
ps_2: A arte de capa é do incrível Pietro Luigi (procurem saber)

Ouça aqui:

25.6.16

Garrafa Vazia - Corotinho EP (2015)


Demorei um bom bocado pra falar da ultima proeza dos cabras da Garrafa Vazia. "Corotinho" já chama a atenção pela maravilhosa capa, uma verdadeira homenagem a bebida etílica barata e arregaça mais ainda com as 4 cantigas que estão presentes no disco. É uma ode ao punk/hardcore chapado, divertido, crítico e rápido, poderia facilmente ser chamado de "Tankard-nacional-versão-3-acordes". Destaques para as músicas "Corotinho" e "Baunilha Boulevard" e para a sonoridade do EP. O esquema é um lançamento da Pé de Macaco Discos e é uma excelente trilha para rituais de celebração da bebedeira sem limites. E a frase de reflexão final que fica é: morrer de overdose é fácil, quero ver morrer de cirrose. Ouça e espalhe!

Obs.: o disco está disponível na Two Beers Or Not Two Beers, só trocar aquele lero com o segunderas e correr pro abraço.


Página da banda: Garrafa Vazia

ouça e baixe aqui:

8.6.16

Sulfurica Billi (MA) em Goiânia


Dia 10 de junho, 3 bandas: duo instrumental, punk rock garageiro e powerviolence estúpido vão fazer do Old Studio um reduto de música sincera, dessa que vem das tripas mesmo.

20h - Abrem-se as portas do Old Studio.

21h - A primeira banda a se apresentar só tem um registro, uma demo gravada e lançada em 2012, e ficou parada desde 2013 até se reunir (sem baixo) neste ano e ter feito um único show no Ocupem as Ruas. Segue link com a demo, que não representa tanto o que se faz atualmente, da Livre?:

https://www.youtube.com/watch?v=VFAkZ_UKPNM

22h - É a hora e a vez da Dualid mostrar seu punk sincero, provando que (como alguns já manjam) também tem coisa boa no Distrito Federal e adjacências. Garagem na veia, crítica e acordes ''simples''. Segue o som da Dualid:

https://dualidgaragem.bandcamp.com/track/melhor-postura

23h - SULFÜRICA BILLI vem, direto de São Luís do Maranhão, fechar essa noite de som visceral com aquele tipo de rolê que surpreende os desavisados (e os avisados também): só duas pessoas tirando um som encorpado, punk rock, stoner, blues e psicodelia provando que menos é mais. Segue o som do Sulfurica Billi:

https://soundcloud.com/sulf-rica-billi

RESUMO:
Investimento: R$10,00
Data: 10/06/2016
Local: Old Studio
Horário: 20h
Bandas:
Livre?
Dualid
SULFÜRICA BILLI


link do evento: https://www.facebook.com/events/248091708881704/

29.5.16

Se liga em algumas tracks do disco de covers do Facada





De uns meses pra cá, a Facada, banda de grindcore de Fortaleza está soltado tracks do seu disco de covers intitulado "Nenhum Puto de Atitude". Em alguma sexta-feira sempre tem algum coisa nova em seu canal no Youtube, e tipo, versões apocalípticas de Titãs, Mukeka di Rato, Bad Brains, Napalm Death, Misfits e Sarcófago. O esquema está sendo arquitetado pra ser lançado pela Läjä Rex e EverydayHate em formato LP & CD. The Spaghetti Incident com Cantinão das Trevas, pra engasgar e perder o fôlego com a própria saliva.

Página da banda: Facada

Ouça as tracks aqui:










26.5.16

CVLPA - MMXVI - Demo (2016)


Sempre gosto de soltar novidades do subterrâneo neste sítio, e dessa vez divulgo um novo projeto chamado CVLPA. Misterioso e sem muitas informações, a banda/projeto soltou uma demo chamada "MMXVI" e que conta com 4 cantigas que exploram o que posso chamar de hardcore negativo. Sonoridade que mescla algo como o hardcore de Boston /NY dos anos 80 (Negative FX), black metal, crust, raw punk japonês e post punk, tudo num esquema que parece ser bem caseiro. Gostei do que ouvi e compartilho pra quem curiosidade/interesse tiver. No mais é ouvir e absorver a ideia. Obrigada!

Ouça:

Desalmado & Homicide - In Grind We Trust - Split (2016)


Mais uma vez de volta nesse podre espaço pra compartilhar música extrema de alta qualidade. E a paulada da vez é o cabuloso split "In Grind We Trust", que junta duas das mais poderosas bandas do cenário grindcore nacional da atualidade, a paulista Desalmado e a catarinense (de São José) Homicide. 
A bolachinha abre com o grindcore da Desalmado,  seis cantigas inéditas que sucede o elogiado EP "Estado Escravo" e que segue com a mesma pegada sonora: grindcore técnico com passagens de sludge e vocal gutural extremamente agressivo. As letras são caracterizadas pelo niilismo, abordando temas como a crença, o poder e o capital, comprovado nas faixas "O Pavor do Estado", "Hidra" e "Diáspora". 
A Homicide chega pesado com sete faixas de tirar o fôlego, explorando o grindcore com boas pitadas de hardcore/metalpunk e letras que criticam todo esse sistema social falido. Destaco as músicas "Vosso Líder", "Estado Terminal" e "Stupid" que resumem bem a extrema agressividade sonora que a banda transmite em cada segundo ouvido. Definitivamente isto não é para ouvidos sensíveis.
Com a incrível arte de capa assinada pelo artista e guitarrista da banda Manger Cadavre?  Marcelo Augusto, o disco é mais um maravilhoso lançamento da Black Hole Productions, um dos selos mais importantes do cenário da música extrema mundial. 
O split só possui pontos fortes, sendo um dos grandes lançamentos do grindcore nacional neste ano, fortalecendo e elevando o nível do nosso underground. Vida longa aos que remam contra a maré!



Página da banda: Desalmado

Página da banda: Homicide

Ouça o Split aqui:

24.5.16

Oldscratch - Padrões de Conserva (2016)



Aqui está um ótimo disco lançado neste ano dentro do nosso subterrâneo. A bolachinha em questão é da banda Oldscratch, lá de Maceió/AL, e que chega apavorando com o disco "Padrões de Conserva". Formada pelas minas Melinna (vocal e cordas finas), Julie (voz e cordas grossas) e Gabriela (voz e batuques), o power trio faz uma poderosa mescla de punk rock e grunge, tudo isso tendo o Riot Grrrl como base para a estética da sonoridade/letras e o feminismo como posicionamento contra os padrões patriarcais estabelecidos. 
O disco conta com 10 cantigas que abordam temas como a liberdade e autonomia do corpo da mulher, conflitos internos. Gravação boa, simples e sonoridade sincera, que me ganhou desde os primeiros segundos. Talvez seja isso que mais precisamos nesse underground, pois o menos sempre será mais, e mais uma prova disso é essa maravilha de disco, forte, intenso e contundente. Destaque para as músicas "Dona do Lar", "Padrões de Conserva", "Marido e Mulher?", "There's no Control", "Egoísmo" e "Machos Escrotos", ou seja, coloquei quase todas as faixas aqui (rizos) pelo tanto que gostei do esquema. Vale destacar também a bela arte de capa do registro, que leva a assinatura de Edinir Aprígio e toda a ideia em si, banda/disco/mensagem/sonoridade, gostei de tudo e espero que o som chegue ao maior número de pessoas possíveis. Portanto, ouça, baixe, compartilhe, compre, indique, pois o trampo tá foda e de responsa!

Página da banda: Oldscratch

Ouça e baixe o disco "Padrões de Conserva" aqui:

Ressonância Mórfica - Mapinguari (2014)


Poucas vezes eu escrevo alguma coisa. Não por falta do que falar, mas pela preguiça de expor o que talvez seja óbvio demais pra quem lê. Nessa prevenção provavelmente equivocada de dizer o já dito esbarro num vazio, justamente porque ninguém vai falar o que sinto além de mim mesmo.
Introduzi o texto com essa ladainha pra dizer que, a seguir, você não vai ler o que já foi por aí publicado sobre o objeto – Mapinguari, recém-lançado disco do Ressonância Mórfica -,  e sim as sensações que me ocorrem quando vejo a banda em ação, ouço as músicas ou trombo o Marcão ou o Luiz por aí. Sendo chato em dobro, acuso o que segue de “pré-resenha” ou um relato honesto sobre as coisas como elas são por quem enxerga a emotividade, o contato próximo e o deixar-levar como matéria-prima pra compreensão da coisa.

Mais que uma banda, percebo o Ressonância, hoje, como uma instituição. Pessoas que vieram de longe em busca de respostas ou fragmentos de mais-vida e que, entre os sucessos e fracassos das pessoalidades, fincaram um pacto de união inquebrável e agregador como razão pra seguir em frente. Inquebrável porque resistir tantos anos de vida subterrânea não é fácil; agregador pela unanimidade alcançada entre os adoradores da música feita com garra e paixão país adentro. E isso não é pra qualquer um.

Que remete ao Napalm Death todo mundo já sabe. Que flerta com as vertentes x-y-z da música extrema, também. O que instiga é lembrar que, mesmo diante dos mais variados obstáculos ou os mais temíveis imprevistos – passar necessidade pra ver sua banda rodando o país significa o que pra você? –, a disposição em ver as coisas acontecendo sobressai e traz sentido, porque é de coração. Um desprendimento raçudo, corajoso, alheio aos estereótipos pretensiosos ditados pelos modismos é o que sugere a obra, que tem muito valor por si só, mas, se contextualizada aos passos dados ao longo desses tantos anos de banda, pode ser visto como o mais pelejado e digno de valorizações-mil lançamento do rock goiano. É de se admirar.

Um outro ponto que eu preciso resgatar trata da importância que a banda teve na minha formação (sempre constante, nunca bastante) e compreensão da música, inclusive quanto às barreiras geradas pelos agrupamentos que giram em torno de um dado meio – o “underground”, nesse caso. Foi num show no extinto Terra do Nunca o meu primeiro contato com o Ressonância e, no auge dos meus 14 ou 15 anos, recém-introduzido e maravilhado com as possibilidades que eu mal sabia existir em torno do hardcore, ver o Léo, baterista da época, tocando aquela quebradeira toda com camiseta do Biohazard, por idiota que pareça, mexeu comigo. A postura do Marcão e presença do Bruno, um louco, também foram alvo da admiração e deram um nó na minha cabeça, afinal, era tudo muito explosivo, muito “não-metal” para as minhas precoces percepções. Depois disso passei a acompanhar a banda, frequentar shows de metal e, pouco tempo depois, envolto pelos intercâmbios com amigos daqui e de fora, tudo fez sentido. Era tudo uma coisa só. Manter uma relação de amizade com o Marcão me fez perceber que simpatia, compaixão e sorriso no rosto devem (ou deveriam) ser universais, independente do quão ilegível seja o logotipo da sua banda. Sou grato.

Quanto ao som, Mapinguari é o resultado natural de um processo de evolução, iniciado lá atrás comAgregados Onímodos Malditos e hoje aprimorado a um nível de maturidade musical – e lírica também, talvez a peculiaridade maior da obra – que flerta hardcore, grind e death metal com a propriedade de quem sabe o chão que pisa. Destaco os ótimos timbres do Luiz e a voz do Marcão, guias maiores do que o Ressonância foi, é e será (e isso não desmerece os trabalhos do Hemar e do Weyner, exímios em seus instrumentos). 

Enxergo um potencial danado nesses caras e encaro o Mapinguari não como a estagnação, mas como um ponto de partida para novos horizontes. Que os próximos trabalhos sejam tão audaciosos e desbravadores quanto os quatro são. 

Texto por Júlio Cesar Baron (Retirado do sítio Pretexto de Vagabundo Edições)

Página da banda: Ressonância Mórfica


Ouça o disco aqui:

O Som da Selva - Renegades of Punk - Euro Tour 2014 (2016)


Estou quase desaparecido das atividades do blog, mas vira e mexe tento atualizar e sempre estou atento ao que anda rolando dentro do nosso subterrâneo. E nessa semana que passou tive a grata oportunidade de ver e rever o documentário " Som da Selva", filme que mostra a aventura da Renegades of Punk pelo velho continente, isso nos idos de 2014. Depoimentos sinceros, o faça-você-mesmx mostrado a cada segundo de filmagem, punk tropical e coisitas mais. Pra você que identifica-se com esse nosso submundo, com a autogestão, cooperativismo e que busca outras alternativas que destroem o padrão social, assista este maravilhoso filme, total independente e que vai deixar você com mais vontade de fazer fazer fazer fazer fazer fazer fazer fazer fazer fazer fazer...

Página da banda: Renegades of Punk

Assista aqui: